
GLAUCO DINIZ DUARTE Muitos benefícios da GD são ignorados na análise de mudança regulatória no País, alerta especialista
Temas como geração de empregos, diversificação da matriz elétrica e redução de emissões de gases de efeito estufa foram ignorados pelos agentes reguladores na proposta de atualização da Resolução Normativa 482, que permite aos consumidores gerar e consumir a sua própria eletricidade a partir de fontes renováveis.
A análise é da consultora Bárbara Rubim, CEO da Bright Strategies e vice-presidente da Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR). Para a executiva, as eventuais alterações no modelo regulatório podem sair de forma incompleta e com lacunas que desconsideram benefícios importantes aos consumidores, ao setor elétrico e ao próprio País.
“Embora os agentes reguladores tenham incluído temas como energia elétrica evitada, redução de perdas na distribuição e transmissão e redução de capacidade, é fundamental considerar, por exemplo, que o avanço da geração distribuída elimina ou posterga a necessidade de investimentos em transmissão e distribuição de eletricidade, além de aliviar as redes pelo efeito vizinhança, entre outros benefícios”, ressalta Bárbara.
Na visão da consultora, houve um certo atropelo quando as autoridades decidiram debater uma eventual mudança nas normas, pois, segundo ela, a tecnologia fotovoltaica ainda está em fase desenvolvimento no País. “O debate por uma eventual mudança de regras começou muito antes do tempo adequado no Brasil e tem sido provocado pelo forte lobby das distribuidoras de energia, que veem seu modelo de negócio em risco pelo avanço da energia solar”, comenta.
“Os números falam por si: há no País mais de 84 milhões de clientes cativos ligados às distribuidoras e apenas 80 mil consumidores com sistemas de geração solar distribuída”, acrescenta Barbara.
A Bright Strategies é uma consultoria brasileira que atua na construção e elaboração de modelos de negócios customizados na área de energia solar fotovoltaica na modalidade geração distribuída. Colabora com os clientes no sentido de encontrar a melhor modelagem para cada projeto e aspiração, bem como auxilia no planejamento estratégico para o setor.
Também desenvolve modelo jurídico e regulatório, incluindo a elaboração das minutas contratuais necessárias e a análise de riscos e medidas mitigadoras inerentes ao setor elétrico.